CRÍTICA – ANÔNIMO 2

CRÍTICA – ANÔNIMO 2

Lançado em 2021, Anônimo foi um interessante lançamento que, bebendo da estética de ação clean e bem orquestrada popularizada, em 2014, com John Wick, conseguia não apenas ter uma essência e atmosfera próprias, como surpreender em um contexto pandêmico. Foi dirigido pelo russo Ilya Naishuller, não um russo qualquer, mas sim o visionário responsável pelo inovador Hardcore Henry, de 2015, um dos grandes filmes de ação daquela década, filmado inteiramente em primeira pessoa e repleto de sequências de ação memoráveis e visualmente exuberantes.

Para Anônimo 2, todavia, a troca da direção para o indonésio Timo Tjahjanto, de filmografia menos acessível, é a primeira queda perceptível. Dito isto, o peso de manter a qualidade recaí para o voraz protagonista de Bob Odenkirk. Contudo, o que antes era uma parceria equilibrada entre diretor e ator, ambos em ótimos momentos, agora é uma conexão desbalanceada. Isso porque Sall (papel que popularizou Odenkirk em Breaking Bad) agora está sozinho para transformar um projeto relativamente genérico em algo sagaz. E consegue, em partes.

A primeira falha no papel de diretor de Tjahjanto é a de não conectar e imergir bem o espectador de forma próxima a Hutch, o anônimo. Logo na introdução, ao invés de sermos reapresentados com mais calma ao protagonista, opta-se por uma montagem distante e o tanto inacessível, instaurando um barreira de afeto que prejudica no carisma de Odenkirk. O que é lamentável, lembrando do quanto torcemos e nos sentimos próximos a ele no primeiro filme.

É notável também a queda no nível da ação, que não possui mais as mesmas coreografias de alto nível ou cenas e planos memoráveis, como aquela do ônibus no filme de 2021. Felizmente, a cartada de motivação das mesmas é super eficaz: aceitando o gênero ação de forma determinada, Tjahjanto não tem vergonha de “forçar” organicamente para que uma pancadaria aconteça, e adota gatilhos de vingança e sensação de injustiça genuínos para ponto de partida da satisfatória violência, como, por exemplo, na cena em que um capanga profere algo à filha de Hutch, que ‘justificavelmente’ é domado pela raiva e assim parte pra porrada.

Como bem ilustrado na divulgação, na trama, Bob planeja tirar férias em família para aliviar um pouco o peso da rotina, quando seu sossego está prestes a acabar novamente num antigo parque de diversões. É fato que a viagem em si melhora muito o filme, pois nos força a aproximarmos mais dos personagens, diferente das divagações turvas no primeiro ato. Nessa reaproximação, passamos a lembrar mais do excelente trabalho de Odenkirk, e de como esse papel realmente lhe é apropriado, acrescendo também sentimentos de fragilidade parterna, casamento e aspectos familiares no geral, como a necessidade de demonstrar vitalidade e disciplina. Vale também algum destaque para a antagonista de Sharon Stone, uma chefona mafiosa impiedosa.

Competente ao que se propõe, ainda que claramente com menos forças que seu antecessor, Anônimo 2 não inventa a roda, nem mesmo a faz girar de forma charmosa. Mas, também, não a deixa cair. Podendo ser até redundante em algumas partes, é um filme operante para seus meros 85 minutos de rodagem, e é honesto com o espectador, mesmo sem impressioná-lo. Ainda que pudesse ser menos sério e pender um pouco mais à comédia (uma vez que exageros e incredulidades são frequentes), há tom e dinâmica constantes que o tornam, definitivamente, um dos filmes de ação já produzidos. Pasmem.


Filme: Anônimo 2 (Nobody 2)
Elenco: Bob Odenkirk, Connie Nielsen, Christopher Lloyd, John Ortiz, RZA, Sharon Stone
Direção: Timo Tjahjanto
Roteiro: Aaron Rabin, Derek Kolstad
Produção: EUA
Ano: 2025
Gênero: Ação, Thriller
Sinopse: O pai suburbano Hutch Mansell, ex-assassino letal, é levado de volta ao seu passado violento depois de impedir uma invasão domiciliar, desencadeando uma cadeia de eventos que revela segredos sobre o passado de sua esposa Becca.
Classificação: 18 anos
Distribuidor: Universal Pictures
Streaming: Indisponível
Nota: 5,5

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