CRÍTICA – TODO TEMPO QUE TEMOS

CRÍTICA – TODO TEMPO QUE TEMOS

Todo Tempo que Temos (We Live in Time, 2024) é um filme de drama dirigido por John Crowley (Brooklyn, 2015). Protagonizado por Florence Pugh (Midsommar, 2019) e Andrew Garfield (O espetacular homem-aranha, 2012), sua narrativa se desdobra entre o início inesperado e o fim conturbado da vida de um casal. Preenchido por altos e baixos, o longa-metragem é uma experiência agridoce que une elementos mais do que batidos no universo do melodrama, mas que ao mesmo tempo conecta o espectador com sua história.

Começando pelos pontos baixos, acredito que o maior deles seja o enredo da história. Desde o começo já é possível prever o caminho que a narrativa irá tomar. Na verdade, apesar de ser um ponto que poderia ser mais bem trabalhado, a falta de originalidade do roteiro não é de todo ruim para a obra. Embora o texto esteja, de certa forma, empenhado em levar o espectador a se sentir desconfortável com a personalidade algumas vezes fria de Almut (Florence Pugh), acredito que a atriz encarnou bem sua personagem, desempenhando a força necessária para se destacar dentro do esperado para o seu papel e sua história.

Já com Andrew Garfield, ocorre quase que o oposto. O ator, que é querido por grande parte do público (eu inclusa), está quase que acostumado a estrelar papeis onde seus personagens são meio bobos ou muito bonzinhos. Aqui não é diferente, Tobias é um homem romântico e até um pouco sonhador, mas que em muitos momentos impõe seus desejos e condições acima da vontade de sua companheira. Apesar do carisma do ator, senti que em alguns pontos a criação do personagem segue por um caminho desagradável e sexista que quase arruína a experiência do filme.

Embora esteja falando aqui dos pontos negativos, que existem em uma quantidade maior do que gostaria, há, também, pontos positivos que muito me agradaram ao assistir Todo Tempo que Temos. Um deles foi, sem dúvidas, a química entre Florence Pugh e Andrew Garfield. Os atores que, se olharmos rapidamente, não parecem ter nada em comum, dividem a tela com naturalidade e suas cenas são muito bem atuadas. Para além disso, a sintonia entre eles é visível e é quase como se eles fossem de fato um casal, característica essa muito importante para um filme que tem como foco, para além do drama, o romance.

A narrativa, que se desenrola a partir do momento em que Almut atropela Tobias (Andrew Garfield) e eles se conhecem dentro do hospital, segue o fio de todo melodrama que já conhecemos e se apresenta ao gerar o confronto entre personalidades, onde uma das pessoas é um espírito livre e um pouco rebelde, e a outra é romântica, um pouco apática e até mesmo sem graça. Apesar de estar acostumada com essa fórmula, devo confessar que, embora muitas vezes ela dê errado, quando dá certo é bastante confortável de se assistir. Não é exatamente o caso aqui.

Todo Tempo que Temos não é de todo um filme ruim. Na verdade, minha experiência ao assisti-lo foi, ao final, mais agradável do que desagradável. O que mais incomoda, no entanto, é a falta de coragem do seu roteiro, que em muitos momentos se torna monótono e extremamente previsível. Ainda que seja, de fato, uma história que já sabemos como se desdobrará, falta em seu enredo algo invisível, que se evidencia nos momentos preenchidos por lacunas de criatividade.

Há, nesse filme, um enorme potencial desperdiçado: os atores, os cenários, a trilha sonora… Nenhum desses itens – que para mim foram peças-chave dentro da narrativa construída – conseguiu transformar o roteiro em algo mais centrado e firme. Como disse antes, faltou coragem em sua composição. Ainda assim, acredito na força que o filme carrega justamente por seu apelo melodramático. Embora a falta de originalidade de seu texto seja um ponto negativo, em muitos outros casos ela acaba por ter um efeito contrário, afinal, quem não gosta de um bom drama?

Como espectadora, Todo Tempo que Temos me foi uma experiência razoável. A história me pareceu comovente na medida e o melodrama não foi o suficiente para me levar às lágrimas, porém, este foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos – vide as minhas últimas críticas no site. Como crítica, não posso deixar de mencionar uma certa decepção, embora não tenha criado tantas expectativas com o longa-metragem. Como mencionado durante todo o texto, reafirmo que essa não é a obra mais original do mundo, mas também não é a pior coisa já feita dentro do nicho em que está inserido.

Ao final, é um filme que vale a pena ser assistido, seja para sofrer um pouco, ou para sentir o aconchego dos minutos finais, que apesar de agridoces, carregam uma positividade incrível em suas imagens de encerramento.

Filme: We Live in Time (Todo Tempo Que Temos)
Elenco: Florence Pugh, Andrew Garfield, Grace Delaney, Lee Braithwaite, Douglas Hodge, Amy Morgan.
Direção: John Crowley
Roteiro: Nick Payne
Produção: Reino Unido
Ano: 2024
Gênero: Drama, Romance
Sinopse: Almut e Tobias são unidos por um encontro surpresa que muda suas vidas. Ao embarcarem em um caminho desafiado pelos limites do tempo, eles aprendem a valorizar cada momento de sua história de amor não convencional.
Classificação: 14 anos
Distribuidor: Imagem Filmes
Streaming: Indisponível
Nota: 7,0

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