Observação pertinente: o seguinte artigo reflete o momento presente da corrida da temporada de premiações, e está sujeito e ciente das futuras e naturais mudanças no cenário de apostas. O embasamento é referente ao que se foi analisado até o início de Janeiro de 2026, pré Globo de Ouro.
Melhor Ator Coadjuvante
Apesar do esnobe no SAG — destino recorrente para performances em língua não inglesa —, Stellan Skarsgård entrega provavelmente a melhor performance de sua carreira, por Valor Sentimental — em que interpreta um pai ausente e cineasta em fim de carreira que, em um gesto tão artístico quanto cruel, convida uma de suas duas filhas para protagonizar o que deve ser seu último filme. Ainda que a corrida esteja equilibrada, o trabalho carrega o tipo de prestígio artístico dramático (e repleto de camadas, de fato) que a Academia costuma reconhecer. Ainda que não muito a frente, há de tê-lo como favorito até então.
Numa decisão estratégica clara, a campanha de Hamnet, dirigido pela Chloé Zhao, submeteu Paul Mescal não como ator principal (ao contrário de casos de protagonismo compartilhado como História de um Casamento, de 2019, quando Scarlett Johansson e Adam Driver apareceram em suas respectivas categorias principais), mas sim para coadjuvante, visando menos competitividade. A estratégia não apenas fortalece sua narrativa na temporada, como praticamente assegura sua indicação pela obra shakesperiana.
Sean Penn surge como herdeiro direto de uma tradição recente da Academia: a consagração de vilões memoráveis na categoria de coadjuvantes. Uma indicação para seu icônico Coronel Lockjaw, em Uma Batalha Após a Outra, não está muito distantes das de Hans Landa (Bastardos Inglórios) e Anton Chigurh (Onde os Fracos Não Têm Vez) — ambos vencedores. Ainda que menos letal que os citados, seu antagonista tem uma presença igualmente sublime e com trejeitos corporais que combinam com seu fascismo grotesco. Penn já tem dois Oscars — Sobre Meninos e Lobos, em 2004; Milk, em 2009 —, e não seria surpresa vê-lo premiado mais um vez pela academia.
No outro lado dessa mesma moeda está Benicio Del Toro. À primeira vista, sua indicação parecia distante: embora fundamental e memorável, seu personagem, em Uma Batalha Após a Outra, tem tempo de tela reduzido e adota um teor cômico sutil — algo semelhante ao que já havia feito em Vício Inerente, também sob a direção de Paul Thomas Anderson. Contudo, o forte favoritismo do filme lhe pavimentou uma rota segura. Está corriqueiramente presente em premiações e atingiu forte popularidade com o querido personagem do Sensei. Mesmo com menor minutagem, sua mera indicação é provável e poderá apaziguar o esnobe em Sicário (2015).
Quem também construiu sua indicação de forma gradual foi Jacob Elordi. Despertando seu talento na série Euphoria, era apenas questão de tempo até que migrasse definitivamente para o cinema com grandes diretores. Ainda assim, sua indicação por Frankenstein, de Guillermo del Toro, não parecia garantida. Interpretando a própria criatura, Elordi se apoia em um trabalho corporal exigente e expressivo, que passou a ser progressivamente valorizado pela crítica — culminando na vitória no Critics’ Choice. Hoje, sua indicação parece sólida, e seu nome ganha força real dentro da corrida.
Quem perdeu forças foi Adam Sandler, por Jay Kelly. Apesar do investimento na divulgação, o drama seco de estrelas elitistas de Noah Baumbach se mostrou apático até para a indústria, e o mau desempenho do filme enfraqueceu veementemente as chances de Sandler, no que seria uma possível redenção da academia após sua última tentativa com Joias Brutas, em 2019. Vale também mencionar Josh O’Connor, que no auge de sua carreira, também possui rara possibilidade por Wake Up Dead Man, que não teve boa campanha.
Para Pecadores, o nome inicialmente mais forte nessa categoria era o de Delroy Lindo, que já tinha mostrado seu carisma no boicotado Destacamento Blood, de Spike Lee, em 2020. Apesar da indicação de Miles Caton (também por Pecadores) ao SAG — e sua vitória como Jovem Ator no Critics’ Choice —, tudo indica que o reconhecimento do filme virá concentrado na categoria de Melhor Elenco, na qual é favorito, funcionando quase como uma moeda de troca.
Finalizando: William H. Macy possui uma excelente atuação em Sonhos de Trem. Com o crescimento exponencial do filme da Netflix, não é descartável que este ganhe forças na reta final.
Meus palpites:
| 1. Stellan Skarsgard (Valor Sentimental)
2. Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) 3. Paul Mescal (Hamnet) 4. Jacob Elordi (Frankenstein) 5. Benicio del Toro (Uma Batalha Após a Outra) |
