Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é a continuação direta de, pasmem, Da Magia à Sedução, lançado em 1998, que se tornou um cult ao longo dos anos, especialmente por misturar fantasia, romance, humor e a forte relação entre as irmãs Owens interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman.
No filme-sequência, ambas retornam como Sally e Gillian Owens, respectivamente, cuja linhagem familiar ainda está sob o efeito da maldição que impede que as mulheres da família vivenciem o amor, pois a pessoa por quem se apaixonam acaba, eventualmente, morrendo. Pois é.
Agora, com as filhas de Sally, Kylie e Antonia, já crescidas (só eu que não entendi como Sally conseguiu ter duas filhas, apesar da maldição?), a história ganha um novo rumo que se perde ao longo do filme. A trama é desencadeada por Kylie (Joey King), que se apaixona por um garoto (Xolo Maridueña) e, ao dizer que o ama, acaba por motivar um acidente que o deixa em coma, pois, por escolha (e por feitiço) da mãe, não sabia a verdade sobre sua ancestralidade, seus poderes e a famosa maldição.
Sally, então, entende que é o momento de revelar a verdade às filhas, e Kylie, desesperada, vai em busca de resgatar sua verdadeira identidade e de pistas sobre a Owens original, aquela que deu origem à maldição, para, assim, tentar quebrá-la e salvar o namorado. Essa parte fica bem no estilo de filme americano, em que jovens pegam suas bicicletas e saem sozinhos pelo mundo para resolver problemas grandiosos, enquanto seus pais fazem o jantar. No caso de Kylie, a “bicicleta” é um voo para a Inglaterra.
A outra irmã Antonia (Maisie Williams), por sua vez, está completamente apagada e não teria importância alguma para a história, não fosse a tentativa pífia do enredo de emular, com Kylie, a sintonia que a Sally tem com Gillian. O papel de Antonia poderia ter sido melhor explorado ao longo da jornada de Kylie, juntando-se a ela nessa busca por respostas. Mas acaba permanecendo apenas ao lado do cunhado em coma, um desperdício de talento e de possibilidades para o roteiro.
Xolo Maridueña, que já foi protagonista de filme de herói (o que é um currículo e tanto na atualidade), neste faz uma ponta totalmente esquecível (nem lembro o nome do personagem), até porque é ele que passa o filme praticamente todo em coma.
Percebe-se que as irmãs Kylie e Antonia foram construídas com personalidades semelhantes às de sua mãe e tia: Kylie é mais desenrolada e vive a vida de forma levemente inconsequente, como a tia (tirando o “levemente” aqui), enquanto Antonia é mais controlada e precavida, como a mãe. No primeiro filme, apesar de não ser possível perceber as distinções de personalidade das crianças, é possível deduzi-las a partir de suas características físicas.
Entretanto, a escalação do elenco da sequência não foi feliz nesse aspecto. Especialmente Maisie Williams, que em nada se parece com a atriz mirim que interpretou sua personagem, o que compromete a continuidade visual entre os filmes. Além disso, ambas as atrizes estão fracas no papel, sobretudo Maisie, que parece pouco à vontade, o que pode estar relacionado à sua participação reduzida, faltando-lhe espaço na trama, conforme mencionado.
O roteiro poderia ter aproveitado a nova geração das Owens como protagonistas, uma escolha interessante e até esperada para uma sequência em que as garotas aparecem crescidas. Em vez disso, coloca-as em segundo plano e mantém as personagens originais como centro da história. É mais um exemplo de um roteiro preguiçoso, que prefere apostar na química comprovada entre Sandra Bullock e Nicole Kidman a se arriscar a construir algo novo.
Exatamente por isso, a primeira parte do filme é meio sem graça e o entretenimento só engata quando Sally e Gillian se juntam em busca de Kylie, pois o fator principal do filme sempre foi a interação engraçada entre elas, que têm personalidades completamente diferentes e, assim, se complementam de forma inusitada. O que deveria acontecer com as jovens Owens, mas a comicidade entre elas fica a desejar, como se as personagens estivessem inacabadas.
O ponto alto é a sequência em que encontram um charmoso professor e estudioso da arte da magia, justamente por focar no entrosamento entre Sally e Gillian, que, no começo, está um pouco engessada, mas melhora a partir daí. A parte de Kylie em busca de respostas é um pouco chata, pois não há nem suspense nem dinamismo, e só serve de pano de fundo para reunir Sally e Gillian em uma aventura própria, para fazerem o que fazem melhor: resolver situações juntas, com muito humor e cumplicidade.
As tias Franny e Jet, interpretadas por Stockard Channing e Dianne Wiest, estão apenas medianas, como uma caricatura dos próprios papéis do primeiro filme, provavelmente porque perderam boa parte de sua contribuição cômica e de seu protagonismo como referência para os mistérios e conhecimentos da parte sobrenatural da família. Mas há o lado bom, nostálgico, de vê-las em cena, novamente.
Diferente da primeira versão, de roteiro mais simples, este é mais intrincado, o que não significa, necessariamente, que seja melhor. A simplicidade do primeiro filme é justamente o que o fez funcionar e o que faltou no segundo, que quis incorporar mais aventura, sem, entretanto, se aprofundar nela. O primeiro leva vantagem, pois entende e comunica a história pelo que é em verdade, a conexão da relação fraternal e o fato de que ter alguém em quem se possa contar é mais importante do que qualquer dificuldade que se encontre pela vida, envolvendo magia ou não.
Por esse motivo, a parte final de Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor vale mais do que o filme todo, pois mostra sua essência: a relação entre irmãs e a união da família Owens, fazendo as pazes com o que são, bruxas.
Filme leve, entretenimento para um domingo à tarde em família.
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Filme: Practical Magic 2 (Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor) Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Joey King, Maisie Williams, Xolo Maridueña, Lee Pace, Dianne Wiest, Stockard Channing, Solly McLeod. Direção: Susanne Bier Roteiro: Alice Hoffman, Akiva Goldsman, Georgia Pritchett. País: Estados Unidos Ano: 2026 Gênero: Fantasia, romance, comédia Sinopse: O tempo passou, mas Sally e Gillian Owens continuam assombradas pela maldição de sua família, segundo a qual todos os homens que amam estão destinados a morrer. Agora, as irmãs precisam enfrentar forças que ameaçam sua família e romper o ciclo que atravessa gerações. Classificação: 12 anos Distribuição: Warner Bros. Pictures Streaming: Indisponível Nota: 5,0 O filme estreia nos cinemas brasileiros em 10 de setembro de 2026. |

