CRÍTICA – CÓDIGO VINGANÇA

CRÍTICA – CÓDIGO VINGANÇA

Código: Vingança, dirigido por Jean-François Richet (Alerta Máximo), é mais um filme com Jason Statham, que já virou um subgênero da ação. O filme conta a história de Cole Reed, ex-militar, ex-policial e atual segurança de um bilionário (do bem, porque há outros tipos). O patrão, que tinha apreço por ele e o considerava membro da família, é assassinado numa emboscada e Cole é injustamente apontado como principal suspeito. E o que esse tipo de personagem não deixa passar? Injustiça e vingança.

E é atrás de vingança pelo amigo que ele embarca em um navio cargueiro, seguindo a pista de que os responsáveis pela emboscada trabalham para a empresa do falecido ricaço, de transporte de cargas, e estariam a bordo.

Cole é um homem de poucas palavras e muita ação, como esperado. As cenas de ação são surpreendentemente boas. Umas até com um toque gore, com direito a machadadas e sangue espirrando na câmera, um pouco diferente da maioria dos filmes de ação similares, que ficam na clássica enxurrada de cenas de pancadaria, troca de tiros mil e batidas e capotagens de carros.

A ação mais focada e realista deixou o filme mais verossímil (para quem prefere a verossimilhança), algo comumente ignorado nesse gênero. As lutas são mais concentradas e diretas, não havendo aquele tipo de cena de quinze contra um. Isso dá um ritmo de ação mais natural, em que é possível focar no combate que está acontecendo, sem se perder entre socos e tiros. Para não dizer que não há inverossimilhança, o único exagero é que Cole consegue se orientar em um navio enorme como se fosse sua própria casa.

Fora isso, Statham está medíocre no quesito atuação. Aparentemente não faz uso de botox (não sei), mas não tem expressão. Contudo, é ótimo no que sabe fazer: lutar e atirar. Os coadjuvantes, semifamosos, como Annabelle Wallis, Roland Møller e Adrian Lester, acompanham o filme em sua qualidade, o que quer que isso signifique.

Nenhum deles é um personagem complexo, o que não faz falta ao produto final, um filme cujo foco está na ação. Os personagens cumprem sua função de garantir o desenrolar da história, que não foca em um roteiro elaborado, bastando um motivo para uma busca desenfreada por vingança. O roteiro chega a tocar no tema de tráfico de pessoas, mas apenas para tornar o vilão mais odioso aos olhos do espectador, sem profundidade alguma sobre o assunto. O foco é vingança.

Os diálogos, por sua vez, são fracos. Servem apenas ao fluxo necessário da trama, sem profundidade alguma. Não há “umazinha” frase de efeito nem alívios cômicos. Os de Cole são praticamente inexistentes. Sempre que lhe é perguntado o que aconteceu na ocasião da emboscada (lembrando que ele está sendo acusado de tê-la orquestrado), não há sequer uma reação de revolta (ou reação alguma), como seria esperada de alguém no seu lugar, como tentar provar ou convencer as pessoas de sua inocência, limitando-se a um “não foi isso que aconteceu”.

Apesar de o foco estar nas cenas de ação, seria interessante incluir mais reações dos personagens, que, nos poucos momentos em que ocorrem, logo se dissipam. Como a oportunidade de demonstrar emoção da personagem de Annabelle Wallis, Angie Ellis, preocupada em retornar viva para sua filha. O momento acaba logo que começa.

Mas é o que se espera do arquétipo Statham: homem durão, habilidoso, de pouquíssimas palavras, extremamente treinado no combate e imbatível (como o próprio Jason, que nunca morre), que enfrenta qualquer situação, normalmente injusta, e resolve tudo na mão. Desta vez, em uma ação mais contida e menos megalomaníaca.

O filme tem o trunfo de terminar na hora certa, sem se prolongar na mesmice. Não há um vai-e-vem desnecessário de bate e apanha, até o mocinho sair vitorioso. Não há uma cena final de luta grandiosa contra o maior vilão, como de costume, o que torna o filme objetivo e positivo nesse quesito.

Se você gosta de filmes de ação no estilo Michael Bay, este não é para você.  “Código: Vingança” tem um ritmo mais lento, menos frenético e, por isso, um pouco mais crível, o que pode agradar a alguns e desagradar a outros, dependendo das expectativas de cada um.

Se você espera ver Statham de camiseta branca, não compre ingresso. Ele fica a todo tempo de jaqueta jeans.


Filme: Mutiny (Código: Vingança)
Elenco: Jason Statham, Annabelle Wallis, Roland Møller, Adrian Lester, Ramon Tikaram, Arnas Fedaravičius, Jason Wong e Chaneil Kular.
Direção: Jean-François Richet
Roteiro: Lindsay Michel e J.P. Davis
País: Reino Unido
Ano: 2026
Gênero: Ação, Suspense
Sinopse: Após testemunhar o assassinato de seu chefe bilionário e ser injustamente acusado pelo crime, Cole Reed embarca em um navio cargueiro em busca de vingança. Durante a jornada, descobre que está no centro de uma perigosa conspiração internacional.
Classificação: 16 anos
Distribuição: Paris Filmes
Streaming: Indisponível
Nota: 5,0

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