O Edifício Copan, localizado na região central da cidade de São Paulo, é um marco da engenharia e da arquitetura brasileira. Projetado por Oscar Niemeyer, Copan é considerado, ainda hoje, a maior estrutura de concreto armado do país. Com mais de mil apartamentos e comportando em torno de cinco mil pessoas, essa estrutura morta tem dentro de si uma natureza viva que pulsa, tal qual a música eletrônica ressoando pelos corredores advinda de um dos apartamentos, como é bem trazido por Carine Wallauer, diretora do documentário COPAN, filme que estreou nos cinemas no dia 28 de maio de 2026.
Quem assiste esse documentário pensa já ter visto algo parecido antes. Sim, Wallauer utiliza e muito do Edifício Master, dirigido pelo gênio Eduardo Coutinho. As cenas dos corredores, a câmera acompanhando os funcionários do condomínio e os relatos por trás de algumas das portas dos apartamentos estão tanto aqui em COPAN quanto no filme de 2002. É bem verdade que, enquanto no filme de Coutinho a narrativa é mais solta e fica a cargo das interações dos moradores com a câmera, Wallauer distancia a sua história do público. É quase que uma câmera escondida acompanhando a rotina do edifício e dos moradores.
O filme, que se passa durante os momentos pré-eleição de 2022 e culmina no dia da votação, faz um movimento de aproximação só quando este assunto vem à tona. A câmera sempre tão distante, vagando pelos corredores, para e observa aquelas pessoas conversando. Os porteiros do Copan discordam entre si sobre Lula e Bolsonaro, mas não há sequer um argumento construído e o clima que existe ali é bem parecido com a polarização das ruas, na qual o falar mais alto é o que decide o embate. Embora a diretora se interesse por momentos como estes, os quais vão se repetir ao longo de todo o documentário, não há outras camadas para além da superficialidade das torcidas de um e de outro candidato.
O momento mais emblemático deste documentário é a assembleia geral para, principalmente, a eleição do síndico. O Sr. Affonso Prazeres, em busca do seu 16º mandato, é o único candidato à síndico, mas seu nome tem bastante resistência. E o que se segue nessa sequência é bate-boca, ameaça e até a polícia sendo chamada. Diria se tratar do único momento em que a câmera consegue retratar a verdadeira natureza dos sentimentos de quem mora no edifício. De resto é tudo cinza, pálido e sem graça.
Muitos planos aéreos são utilizados para mostrar a grandeza de uma construção que já foi símbolo do desenvolvimento do País. Agora é um prédio como qualquer outro no meio da selva de pedra que é a cidade de São Paulo, com problemas na administração, carente de cuidados e abrindo espaço para locações de curta duração como o Airbnb.
Se no início Wallauer se aproxima dos moradores do Copan, filmando um DJ testando sons e uma jovem produzindo conteúdo adulto, o que segue depois disso é uma câmera perdida pelos corredores do edifício, sem conseguir encontrar o que de fato quer mostrar. Ora é a rotina desinteressante de alguns moradores, ora é o descanso dos funcionários em redes no subsolo do edifício.
O Edifício Master sequer tem a história que o Copan possui, mas Coutinho dá vida àquela estrutura localizada no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Já aqui o movimento é o extremo oposto. Wallauer tira a luz, freia o movimento, filma tudo quase em câmera lenta. E o resultado é uma história completamente desinteressante. Se não fosse a cena da comemoração da vitória de Lula no Copanzinho, o filme sequer chegaria perto do que representam todas aquelas pessoas que vem e que vão — e que passam pelo Copan todos os dias.
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Filme: COPAN Direção: Carine Wallauer Roteiro: Carine Wallauer Produção: Brasil, França Ano: 2025 Gênero: Documentário Sinopse: No coração de São Paulo, ergue-se um gigante de concreto. O edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer, abriga mais de cinco mil moradores e se torna palco de uma eleição acirrada. O síndico, há 30 anos no cargo, luta para manter sua posição, enquanto uma disputa ainda maior se desenrola fora das paredes do edifício, com Lula e Jair Bolsonaro disputando a presidência do Brasil. Dirigido por Carine Wallauer, Copan é um retrato do Brasil contemporâneo e das engrenagens do poder, entrelaçando realismo social e sci-fi em um dos prédios mais emblemáticos do país. Classificação: 12 anos Distribuidor: Vitrine Filmes Streaming: Indisponível Nota: 4,0 |

