Simplicidade. Essa é a palavra-chave que define esse longa-metragem no universo de One Piece. E é mais do que um prazer ver tais obras – junto de outros grandes clássicos das animações nipônicas – chegando as telas brasileiras para o público geral. Assim, nota-se uma tendência de maior abertura do mercado nacional para essas animações, permitindo tanto fãs antigos, fãs novos e completos desconhecidos desse universo despertarem seu interesse e com uma política de inclusão pelo trabalho de dublagem completo.
No âmbito visual e animação, é revisitar um One Piece que hoje já pode ser classificado como retro. Fazem vinte e seis anos do seu lançamento original. É uma espécie de nostalgia reencontrar um elenco tão familiar em seus antigos designs e longe da escala tão épica que todo novo arco vem a proporcionar ao público. Estamos diante de uma proposta simples: encontrar o tesouro de um pirata lendário que conquistou tanto ouro que a onde o armazena não sofria com as mazelas da escuridão. Uma espécie de Robin Hood, furtando as fortunas dos malignos, corruptos e ruins.
Nosso elenco que somos familiarizados é composto pela trupe mais clássica e inicial da narrativa: Luffy, Zoro, Nami e Usopp. De novidade, temos Tobio e seu avô Ganzo promovendo o papel daqueles que serão “salvos” em determinado momento e o antagonismo fica para Eldoraggo e sua trupe que também anseiam pelo tesouro escondido do pirata lendário Wonan. Devido a uma série de circunstâncias e coincidências essa tríade de elenco se depara, se encontram e se desencontram ao longo da singela uma hora de duração do longa-metragem. ‘
A melhor palavra que minha pessoa em específico sentiu ao ter a experiência com esse longa-metragem – e havendo um esforço contínuo de tentar ignorar ao máximo esses filmes que saíram das grandes obras serializadas shounen (Naruto, Bleach etc.) – foi a completa e total indiferença. A cena de sua abertura totalmente descontextualizada da narrativa que virá posteriormente – em que a trupe é hipnotizada por uma bola de discoteca gigante e todos começam a dançar – me causou mais sensações de interesse do que todo o restante da narrativa. Primeiro pela sua pouca relevância dentro do arco narrativo total das personagens e segundo por não ousar em absolutamente nada no quesito técnico. Parece mais uma experiência de episódios completamente esquecíveis que você se depara no meio das séries animadas de longa duração. Um filler que não agrega em nada, acontece e você abandonará na memória em poucos dias, semanas ou meses, tornando-se somente mais um número para você computar no MyAnimeList. Nenhuma trilha sonora memorável, nenhum momento memorável, nada que chegue a transmitir o que seja. É até difícil ficar encontrando sinônimos de indiferença, nada, vazio sem cair em uso de palavrões que contemplariam em máxima os sentimentos nada gerados que senti ao ver o longa.
Fui pego de surpresa pela dublagem, afinal, é algo completamente fora da minha zona de conforto em relação ao assistir animações japonesas. Guardo com muito carinho os trabalhos com os clássicos, mas desde adolescente me familiarizei nesse meio ouvindo somente no original, muito raramente dublado em português e somente em último caso assistir em inglês… (FICAM OS ELOGIOS EM CAIXA ALTA PARA A DUBLAGEM BRASILEIRA, PORQUE O TRABALHO EM INGLÊS PODERIA ÀS VEZES SER CLASSIFICADO QUASE COMO CRIMINOSO). E aí que residiu uma experiência cômica, pois, pego de surpresa foi algo prazeroso em muitos momentos, apesar de quando tiveram seus baixos, eles foram bem baixos mesmo. É perceptível o quanto parece ter sido divertido o processo de dublagem, pois ele reflete nas falas e na liberdade que foi dada em adequar certos termos e piadas que me pegavam despreparado e me vi rindo das escolhas genuinamente. As informalidades, gírias, jargões e brasilidades tão específicas que geram um encantamento e uma localização super funcional que não afeta em nada na experiência visual/narrativa, ainda mais em um filme tão indiferente.
O ponto mais negativo em relação a dublagem é a do personagem Tobio, que em vários momentos tem poucas variações de tons e chega a incomodar quando ele resolve gritar ou ficar repetindo as mesmas frases. Chegou a quase me retirar do filme e acionar o famoso TDH buscando estímulos em outro lugar, forçando-me a manter o foco no longa-metragem.
One Piece: O Filme, então, é aquele título que ficamos felizes de ver chegando aos cinemas e que qualquer grande entusiasta da obra de One Piece saíra satisfeito de ir ver nas telonas, porém, indiferente, ignorável e esquecível como grande parcela dos fillers que foram produzidos nesse respectivo período das grandes animações do início dos anos 2000. Pelo menos tem somente uma hora de duração.
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Filme: Wan Pîsu (One Piece: O Filme) Elenco: Mayumi Tanaka (Carol Valença), Kazuya Nakai (Glauco Marques), Akemi Okamura (Tati Keplmair), Kappei Yamaguchi (Adrian Tatini). Direção: Junji Shimizu Roteiro: Michiru Shimada Produção: Toei Animation Ano: 2000 Gênero: Animação, ação, aventura e fantasia Sinopse: Luffy e os Piratas do Chapéu de Palha partem em busca do lendário tesouro do pirata Woonan. No caminho, precisam enfrentar Eldoraggo e sua tripulação, que também estão atrás da fortuna. Classificação: 12 anos Distribuidor: Paris Filmes Streaming: Não disponível Nota: 5,0 |

