CRÍTICA – A QUEDA 2: NO LIMITE

CRÍTICA – A QUEDA 2: NO LIMITE

A Queda 2 usa o mesmo formato de A Queda, seu predecessor, sem tirar nem pôr. Nesta sequência, os diferenciais são: melhores atuações, o que parece ser um elogio, mas é o mínimo que o filme poderia oferecer, pois pior que o primeiro não dava para ficar (aliás, sempre dá), melhor trilha sonora (se é que deveríamos estar tratando disso em um filme desse padrão) e, aparentemente, um orçamento maior ou melhor utilizado.

O começo do filme amarra de forma bem razoável a história do primeiro com a do segundo, que agora vai contar a aventura da irmã de Shiloh, Jax. Luce, suposta amiga da irmã falecida, convence Jax a honrá-la fazendo exatamente o que matou sua irmã: uma escalada perigosa. Sentido? Não temos.

O roteiro começa fraco na construção da relação entre Jax e Luce, que se conhecem em um dia, e Luce já convence Jax a entrar nessa aventura que, de simples, não tem nada. No dia seguinte já estão no pé da montanha. Não é verossímil que uma pessoa tome uma decisão como essa sem conhecer suficientemente a outra e, mesmo que o foco não seja a plausibilidade, o roteiro poderia ser minimamente melhor nesse sentido, apenas alterando a instigadora da aventura para uma amiga de longa data ou pela sobrevivente do filme anterior…

Superada essa parte de que as duas mal se conhecem e já são “mais que amigas, friends”, nenhuma das duas possui a menor experiência nesse tipo de aventura (ou qualquer outra), mas decidem encarar o desafio de escalar uma montanha superperigosa na Tailândia, apesar de serem desaconselhadas pelos moradores locais por conta do período de chuvas, com um guia misterioso, especialista na trilha, que, além de tudo, é ilegal. Tudo com uma calça legging, uma mochila e um sonho na mão.

Sem muita delonga, o filme já inicia com o que todos queremos ver: a escalada, os erros, a queda. Animadas (Jax nem tanto), as garotas iniciam a escalada e, já nos primeiros momentos, vemos a repetição dos elementos do filme original, como: hesitação de uma das personagens, animação da outra, que a encoraja como se toda a situação fosse fácil e divertida, foco em parafusos frouxos, estruturas se deteriorando a cada passo, no estilo Premonição, em que você vai vendo o desastre se formar antes de acontecer.

Entretanto, ao mostrar parafusos soltos, chuva e a estrutura deteriorada, o filme logo anuncia a tragédia, não deixando espaço para uma construção efetiva de tensão. Seguindo o mesmo enredo, as duas personagens ficam presas nas alturas, tentando perigosamente escapar enquanto confidenciam coisas da vida, Jax descobre segredos sobre Luce, que depois é perdoada, repetindo também a reconciliação emocionada do filme anterior.

Em alguns momentos, é possível acreditar nas situações e sentir uma leve tensão ao acompanhar as decisões extremamente perigosas que as personagens precisam tomar, sem escapatória, para tentar sobreviver. Em outros, há apenas uma tentativa preguiçosa de mostrar o perigo, como no uso da perspectiva de altura, com o propósito de causar aquele friozinho na barriga do espectador. Utilizado constantemente, esse recurso ocupa um espaço que poderia ser melhor aproveitado para explorar a ação das duas pela sobrevivência. Além disso, o exagero desse tipo de cena feita com computação gráfica torna o filme mais artificial do que precisava ser.

A questão é que o filme sequência não encontra uma nova maneira de produzir tensão ou de melhorar o formato. Ele troca personagens e cenário, mas mantém praticamente a mesma estrutura dramática. É uma mera variação do antecessor, sem nada de novo a dizer e, no fim, um entretenimento fraco que não vale o ingresso.


Filme: Fall 2: Deadpoint (A Queda 2: No Limite)
Elenco: Harriet Slater, Arsema Thomas, Tom Brittney, Virginia Gardner, Grace Caroline Currey, Einar Haraldsson, Sahajak Boonthanakit
Direção: Michael Spierig, Peter Spierig
Roteiro: Scott Mann, Jonathan Frank
País: Reino Unido, Estados Unidos
Ano: 2026
Gênero: Suspense, aventura e drama
Sinopse: Após a morte de sua irmã Shiloh, Jax se aproxima de Luce, amiga de Shiloh. As duas viajam para a Tailândia para realizar uma aventura relacionada à memória da jovem. No Monte Kwan, um deslizamento de rochas as deixa presas em uma pequena plataforma a milhares de metros de altura, transformando a escalada em uma luta pela sobrevivência.
Classificação: 14 anos
Distribuição: Paris Filmes
Streaming: Indisponível
Nota: 4,0

O filme estreia nos cinemas brasileiros em 10 de setembro de 2026.

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