CRÍTICA – TRÊS HORAS PARA VIVER

CRÍTICA – TRÊS HORAS PARA VIVER

Com alguns bons filmes e outros nem tanto na carreira, Scott Waugh, em Três Horas para Viver, prometeu nada e entregou tudo. O filme parte da premissa conhecida do cara durão, veterano de guerra, que virou transportador especializado e agora se encontra numa emboscada ao ajudar um cliente a transportar um órgão que será transplantado numa garotinha fofa. Daí surge o tempo apertado para a ação.

Pela sinopse e pelas figuras apresentadas, o filme parece que vai seguir o “gênero Statham”: músculos, diálogos péssimos e foco na ação. Mas, para surpresa de todos (ou talvez só minha), o grandalhão lutador Hank (Alan Ritchson) tem diálogos e, diga-se de passagem, bons e coerentes. Temos um personagem complexo o acompanhando, Ben, interpretado por Owen Wilson, que não está a serviço apenas do alívio cômico, mas também rouba a cena com uma atuação cativante, construindo uma interação acertada com Hank. Como a cereja do bolo, eis que surge o nosso maravilhoso Rodrigo Santoro interpretando com perfeição o vilão da trama, Damián.

A história não chega a ser intrincada (nem precisa), mas tem momentos de suspense sobre quem está por trás da emboscada para o roubo do órgão, diversos outros que aliviam um pouco a ação que, quando aparece, vem com qualidade. Nesse quesito, o filme não deixa a desejar e o telespectador sai satisfeito. São muitas cenas de ação boas, tanto na troca de ameaças e embates entre mocinhos e vilões quanto na pancadaria e nos tiros para todos os lados, com o bônus de cenas mais fortes e grotescas.

Rodrigo Santoro está de se orgulhar, soltando frases em português que agradam muito ao público tupiniquim, principalmente os xingamentos, pois todo mundo sabe que nada é melhor do que xingar na língua nativa. O próprio ator contou que desenvolveu características do personagem, incluindo o uso do português e uma personalidade mais imprevisível, em vez de simplesmente apostar na força física. E funcionou.

É perceptível esse cuidado na construção de Damián. Apesar de ser um filme que talvez não seja levado tão a sério por conta do gênero, Santoro entrega uma atuação digna de premiações (sim, me atrevo). Ele parece empenhado em interpretar o melhor vilão possível, independentemente do filme. Damián poderia facilmente ser um antagonista de James Bond.

O mesmo se pode dizer sobre Owen Wilson, que fazia falta vê-lo em destaque e, apesar de interpretar um papel de sua zona de conforto: o cara engraçado, atrapalhado e conversador, aqui, consegue conquistar sem exagero.

A história ainda investe em momentos de emoção, com tramas secundárias bem construídas, humanizando os personagens, trabalhando os clichês de maneira eficiente. A exemplo da filha falecida de Hank, da amizade inusitada entre ele e Ben, do vilão que não quer dinheiro, mas salvar a matriarca da família, e da pequena garota doente e de sua mãe, que entra na luta pelo órgão de que tanto precisa, o qual motiva toda a guerra.

O gênero precisava de um filme de qualidade que entregasse entretenimento, comédia, boas cenas de ação, bons diálogos, ótimas atuações e emoção. Três Horas para Viver saiu do genérico, sem perder a essência do que busca o telespectador quando escolhe esse tipo de filme para assistir.


Filme: Runner (Três Horas para Viver)
Elenco: Alan Ritchson, Owen Wilson, Rodrigo Santoro, Leila George, Sullivan Stapleton, Kate Box e Peta Sergeant.
Direção: Scott Waugh
Roteiro: Miles Hubley e Tommy White.
País: Estados Unidos
Ano: 2026.
Gênero: Ação, comédia e suspense.
Sinopse: Hank Malone (Alan Ritchson), um transportador de elite, tem apenas três horas para entregar um órgão vital capaz de salvar a vida de uma menina. O que parecia uma missão simples se transforma em uma corrida mortal contra o tempo quando Damián Zaldívar (Rodrigo Santoro), líder de uma organização criminosa, passa a perseguir a carga. Hank precisará enfrentar perseguições e situações extremas para concluir a entrega antes que seja tarde demais.
Classificação: 16 anos.
Distribuição: Diamond Films.
Streaming: Indisponível.
Nota: 7,0

O filme estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro de 2026

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