CRÍTICA – CHOPIN, UMA SONATA EM PARIS

CRÍTICA – CHOPIN, UMA SONATA EM PARIS

Nem todos estão familiarizados com a música clássica e, portanto, para a grande maioria das pessoas o nome Chopin pode não significar muita coisa. No entanto, há quem diga que este pianista chegou próximo ao que Mozart foi, recebendo, inclusive, a alcunha de “o segundo Mozart”. Chopin, aos 7 anos, já tinha criado sua primeira obra e, aos 8, já tocava para o grande público. Suas obras, ainda que não tão conhecidas quanto a de outros compositores como Mozart, Beethoven e Bach, permanecem vivas e tiveram papel fundamental para a música moderna, como, por exemplo, o jazz.

O longa “Chopin, Uma Sonata em Paris” não tem a pretensão de contar toda a história desse pianista, mas o recorte escolhido pelo diretor Michal Kwiecinski não parece ser o mais assertivo, uma vez que é muito diminuto e difuso. Sequer é possível prestar atenção nos detalhes da Paris de 1835. Apesar das mais de duas horas de duração, o que acompanhamos são apenas fragmentos da vida de Chopin, resumidos a idas e vindas pelas ruas de Paris e às constantes oscilações em seu estado de saúde.

Assim como os filmes Amadeus (1984) e O Segredo de Beethoven (2006), a aposta aqui é, também, na excentricidade do personagem. Chopin, interpretado pelo ator polonês Eryk Kulm, é um homem de extravagâncias e de muita vaidade, mas essas características parecem sumir quando ele está sentado à frente de um piano. Com o corpo quase estático, suas mãos são as únicas que bailam sobre as teclas revestidas de marfim. Há um minimalismo no gestual e na música que faz parecer que as cenas, nestes momentos, ficam vazias e que apenas Chopin e seu piano existem ali.

O ator passou por um período de aprendizagem para conseguir tocar algumas das obras de Chopin. Um processo que o próprio ator diz ter sido árduo e que lhe causou inflamações nas mãos e no pescoço. Tal disciplina pode ser vista nos diversos planos-sequência em que ele aparece por inteiro tocando o piano. São estes momentos em que o filme nos cativa, pois usa o contraste da sua vida social, repleta de excessos, com a delicadeza de suas composições.

O filme trata dos últimos anos da vida de Chopin em Paris, cidade que ele escolheu para ser seu lar desde os 20 anos de idade. Logo no início, o compositor é diagnosticado com tuberculose em estágio avançado, doença que não tinha cura na época. A partir daí, acompanhamos o impacto dessa sentença de morte. A verdade, porém, é que a morte em si não era, assim tão ruim para ele. Sua única e genuína preocupação era com a música. Isso fica evidente na passagem em que se relaciona com a escritora George Sand – a única a enxergar o verdadeiro Chopin, um homem triste e angustiado. Durante uma viagem do casal para a Espanha, no intuito de tentar melhorar a saúde do pianista, Sand percebe que Chopin, longe do piano e sem público, definhará não pela tuberculose, mas sim pela depressão.

O diretor Michal Kwiecinski corre para mostrar o máximo que pode dos últimos anos do “poeta dos pianos”. A montagem apressada só diminui a velocidade nas cenas em que Chopin toca. Até mesmo sua relação com George Sand, importante período da vida de Chopin, sobretudo para sua melhora clínica, é quase que completamente esquecida neste longa. Chopin, Uma Sonata em Paris explora o compositor, o professor, o amigo e o pianista. Embora o faça de maneira superficial, uma vez que não há tempo de se aprofundar em tudo, é possível perceber como essas diversas facetas de Chopin o fizeram ser quem foi. A morte precoce, aos 39 anos, assim como foi com Mozart, levou um dos mais importantes compositores do mundo e ele estava só começando.


Filme: Chopin, Chopin! (Chopin, Uma Sonata em Paris)
Elenco: Eryk Kulm, Lambert Wilson, Victor Meutelet, Josephine De La Baume
Direção: Michal Kwiecinski
Roteiro: Bartosz Janiszewski
Produção: Polônia, França, Espanha
Ano: 2025
Gênero: Drama, Biografia, Musical
Sinopse: Paris, 1835. Frédéric Chopin se move na alta sociedade, dando concertos, ensinando para ganhar dinheiro enquanto luta contra uma doença. Ele compõe peças de teatro, frequenta festas e busca romance nos círculos aristocráticos e reais.
Classificação: 14 anos
Distribuidor: Synapse Distribution
Streaming: Indisponível
Nota: 5,0

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