CRÍTICA – TODO MUNDO EM PÂNICO (2026)

CRÍTICA – TODO MUNDO EM PÂNICO (2026)

Em meio à era de um cinema carente de filmes de comédia, novamente os Irmãos Wayans colocam a mão na massa para trazer ao público aquele teor de humor tão típico do início dos anos 2000 – a paródia. Sempre com a proposta de ser um “terrir”, Todo Mundo em Pânico não faz questão de trazer muitas inovações ou subversões, uma vez que aposta na proposta da comédia escrachada de sempre, só que em termos de texto, recicla referências antigas enquanto tenta reinventar as piadas para se comunicar com a geração mais nova. Mas será que isso deu certo?

É notório que o roteiro é uma bagunça que tenta mascarar a ausência de um fio condutor com muita piada forçada e repetitiva o tempo inteiro – sobretudo de cunho sexual – aliás, bem semelhante à veia cômica da última temporada de The Boys, que vinha pesando a mão nesse sentido, a ponto de tornar combalida a graça pelo cansaço da repetição (quem assistiu, sabe). Aqui, é como se a atual cena premeditasse a seguinte, como um looping de ideias falidas e insistentes. Antes do punch da piada vir à tona, já conseguimos deduzir qual será sua fraca conclusão.

Há uma abordagem até interessante sobre conflitos geracionais, quase refletindo numa outra camada de metalinguagem involuntária, uma vez que o filme busca ridicularizar as novas gerações – Z e Alfa, em especial –, enquanto evidencia a pouca desenvoltura que os personagens clássicos têm de se comunicar e se entrosar com os personagens novos (no sentido de serem novos naquela diegese, e no sentido etário, também), o que acaba revelando um aspecto algo promissor no longa.

Mas infelizmente essa ‘cutucada’ fica só na superfície, uma vez que essa abordagem se perde em meio a tantas outras, pelo fato de não haver um pilar narrativo que solidifique o que é apresentado. Não é que um filme de comédia exija um roteiro digno de Oscar, mas até para o entretenimento mais despretensioso é viável uma mínima coesão. O que rola é uma amálgama de cenas avulsas, desconexas, como se os realizadores tivessem decidido algo como: “vamos atirar para todos os lados. Algo vai funcionar”.

E, claro, tal estratégia pode de fato acabar funcionando; se há uma enxurrada de piadas, ainda que de teor repetitivo, disparadas continuamente, algumas cenas bem esdrúxulas (uma delas, inclusive, envolvendo sexo oral em uma garota com uma conclusão no mínimo impensável), enquanto há uma latente exploração de uma metalinguagem afiada, é evidente que o filme vai, de uma maneira ou de outra, atingir o seu propósito: o de arrancar ao menos uma risadinha de cada espectador.

Um dos elementos que impedem que o longa soçobre de vez – sendo a principal alma desse filme e dos anteriores da franquia – é a metalinguagem, que é criativamente explorada ao mirar em homenagens a filmes mais recentes do gênero do terror, fazendo brilhar os olhos dos cinéfilos mais engajados. Aliás, há também referências de filmes de outros gêneros no balaio, como Bailarina, o icônico As Branquelas (talvez a cena mais hilária do filme), e a recente biopic do Michael Jackson, que são divertidas, ainda que inseridas sem muito (ou nenhum) nexo.

A proposta tão comentada por trás do projeto, que é a de “ofender a tudo e a todos, a criticar e ridicularizar todos os lados políticos, posicionamentos e etc” não soou subversiva ou ousada, nem sequer eficaz; soou ineficiente. O texto até tenta escandalizar, mas não há uma real perspicácia nas piadas. As supostas críticas sociais, tão insistentes, são fracas, inócuas, uma vez que são trazidas ‘gratuitamente’, sem sequer algum contexto relevante acontecendo na cena cena em si – parece até um dispositivo para evitar que o caráter do filme acabe sendo circunspecto.

No fim, o que fica é a impressão de que esse tipo de humor caricato talvez não vingue mais nos tempos atuais. Mas não, não porque a geração atual é a geração do “mimimi”, uma geração que não se permite divertir sem amarras; o que ocorre é que há coisas que envelhecem como um bom vinho, já outras, infelizmente não se sustentam com a passagem de um longo tempo. Há quem ainda seja o público-alvo desse tipo de humor e se contente com uma bagunça em forma de filme, contanto que tenha seu entretenimento servido – e quer saber? Está tudo bem.


Filme: Scary Movie (Todo Mundo em Pânico)
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Marlon Wayans, Shawn Wayans, Chris Elliott, Damon Wayans Jr., Lochlyn Munro, Heidi Gardner, Dave Sheridan, Jon Abrahams, Anthony Anderson
Direção: Michael Tiddes
Roteiro: Rick Alvarez, Craig Wayans, Keenen Ivory Wayans, Marlon Wayans e Shawn Wayans
País: Estados Unidos
Ano: 2026
Gênero: Comédia, terror
Sinopse: Vinte e seis anos depois de escaparem de um assassino mascarado, Shorty, Ray, Cindy e Brenda tornam-se alvos de um novo maníaco mascarado, enquanto lidam com jovens da nova geração.
Classificação: 18 anos
Distribuidor: Paramount Pictures
Streaming: Indisponível
Nota: 5,0

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