Dizem que, na psicologia das cores, a cor laranja remete à modernidade, à criatividade e ao otimismo. No caso do filme analisado a seguir, as cores vão desenhando e moldando a identidade das personagens, que contrastam com a fineza de um amor fora dos padrões retratado na obra.
Theodore Twombly (Joaquin Phoenix, de Coringa), recém-separado, bem-apessoado e um moderno escritor de cartas afetuosas (Designer e escritor? Não fica tão nítido no filme), é representado por roupas de cores quentes, demonstrando uma nova abertura para o amor. O laranja, que por hora é muito usado pelo personagem, contrasta com o sempre presente vermelho, sendo a cor do AMOR MODERNO (tecnológico).
Em uma crise de tristeza enquanto vai para o trabalho, Theodore conhece uma solução tecnológica: um sistema operacional que organiza a vida de quem o adquire, criando, com o tempo e a conversa, uma personalidade específica para trazer naturalidade à interação com o usuário. O homem, que tenta várias vezes se relacionar de alguma forma (todas sem sucesso), vê naquela “máquina”, chamada Samantha, um remédio para sua solidão pós-término de casamento. Ela, por sua vez, apresenta-se divertida, complexa e muito calorosa, criando assim com o rapaz um grande laço que, posteriormente, maximiza a consciência e a personalidade da mulher-robô-sistema-operacional.
Ambientada em uma Los Angeles distópica, marcada por uma dualidade com alguma cidade chinesa (com muitos chineses em cena, referenciando este país por ser um líder na criação de robôs, mas em um mundo muito mais globalizado que o de hoje), a história vai se desenvolvendo com tramas paralelas, como a de Theodore e a de sua colega Catherine, que também se relaciona com um sistema, porém de forma amigável. O cenário é blasé com todos os seres humanos neste filme, talvez de propósito, pois ali todos os personagens e figurantes estão voltados para seus aparelhos eletrônicos, como se a vida dependesse daquilo e não existisse saída a não ser conviver com este contexto tecnológico (o que não deixa de ser verdade, pois JÁ ESTAMOS VIVENDO À BASE DE REDES SOCIAIS E CONVERSAS EM CHATGPT OU IA’s). Outro detalhe é que a figuração também tem o papel de servir como cenário e pano de fundo para a intenção de mostrar o individualismo e a falta de sociabilidade de TODOS na cena.
Conforme o filme se desenrola, entendemos o porquê da separação matrimonial de Theodore: sua ex-esposa era alguém triste e que deixava a desejar no quesito felicidade, não sendo vista como alguém expansiva. Penso que isso é um paradoxo, pois todos em cena são exatamente iguais: tristes e solitários. Já Samantha (o sistema operacional) é alegre e social. Um par perfeito para o personagem de Joaquin Phoenix, que vai se desfazendo na necessidade do calor e da presença de ter um parceiro ao lado.
Phoenix aqui está impecável em sua atuação. O trabalho corporal para retratar a melancolia de Theodore é exímio, além da transição de expressividade da solidão ao encontro da S.O. Samantha.
Sem delongas e sem dar spoilers, o filme (que já completou mais de uma década de lançamento, de uma época quando as IA’s ainda não estavam em nossos aparelhos celulares ou desktops) é totalmente atual e até profético, por assim dizer. Afinal, já podemos ler noticiários sobre pessoas se casando com namorados feitos por inteligência artificial. As coisas tendem a aumentar e logo, pelo menos acho, “HER” não será um filme ficcional, e sim um filme que conta, literalmente, histórias de amor solitárias entre humanos e inteligências artificiais.
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Filme: HER (ELA) Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde Direção: Spike Jonze Roteiro: Spike Jonze Produção: Estados Unidos Ano: 2013 Gênero: Drama, Romance e Ficção Científica Sinopse: Em um futuro próximo, o escritor solitário Theodore Twombly adquire um novo e avançado sistema operacional com inteligência artificial, projetado para atender a todas as suas necessidades. Conforme o sistema ganha consciência e assume a identidade de Samantha, os dois iniciam uma relação amorosa profunda e complexa que redefine os conceitos de solidão, afeto e conexão humana. Classificação: 14 anos Distribuidor: Sony Pictures, Warner Bros. Streaming: Prime Video Nota: 9,5 |

